Zoonoses aparecem em praticamente todas as edições do ENARE e cobram conceitos de epidemiologia, agente etiológico, sinais clínicos, diagnóstico, tratamento e legislação sanitária. Este guia reúne o essencial das doenças mais cobradas para a revisão final antes da prova.
Febre Maculosa Brasileira
Agente: Rickettsia rickettsii, bactéria intracelular obrigatória do grupo das riquétsias.
Vetor e reservatório: carrapato-estrela (Amblyomma sculptum, antigo A. cajennense). Capivaras e equinos atuam como amplificadores; o carrapato é reservatório por transmissão transovariana.
Clínica no humano: febre alta, cefaleia, mialgia, exantema maculopapular que evolui para petéquias em palmas e plantas, podendo cursar com choque e falência de múltiplos órgãos.
Diagnóstico: clínico-epidemiológico com confirmação por RIFI (padrão-ouro), PCR ou imunohistoquímica. Notificação compulsória imediata.
Tratamento: doxiciclina em qualquer idade — não esperar confirmação laboratorial. Cloranfenicol como alternativa em gestantes.
Pegadinha FGV: a suspeita clínica autoriza início imediato do antibiótico; o atraso é o principal fator de letalidade.
Leishmaniose Visceral Canina (LVC)
Agente: Leishmania infantum (sin. L. chagasi).
Vetor: flebotomíneo Lutzomyia longipalpis (mosquito-palha). O cão é o principal reservatório urbano.
Clínica: onicogrifose, alopecia periocular, linfadenomegalia generalizada, emagrecimento progressivo, lesões cutâneas ulcerativas, epistaxe e insuficiência renal.
Diagnóstico: testes rápidos (DPP) para triagem e ELISA para confirmação, conforme portaria MAPA/MS. Parasitológico direto e PCR complementam o diagnóstico.
Tratamento: permitido no Brasil apenas com miltefosina (Milteforan®) — antimoniais são proibidos no cão. Manejo inclui coleira com deltametrina e controle vetorial.
Legislação: doença de notificação compulsória; portaria interministerial MAPA/MS 1.426/2008 regulamenta o tratamento canino.
Raiva
Agente: vírus do gênero Lyssavirus, família Rhabdoviridae. Zoonose de letalidade próxima a 100%.
Ciclos epidemiológicos: urbano (cão e gato), rural (bovinos, equinos, morcego hematófago Desmodus rotundus), silvestre terrestre (canídeos, primatas) e aéreo (morcegos).
Clínica animal: forma furiosa (agressividade, sialorreia) ou paralítica (paresia ascendente).
Diagnóstico: imunofluorescência direta em tecido nervoso (padrão-ouro) e prova biológica em camundongos. Corpúsculos de Negri são sugestivos, não patognomônicos.
Profilaxia: vacinação anual em cães e gatos, controle de morcegos hematófagos em áreas rurais, vacinação pré-exposição de profissionais de risco e esquema pós-exposição segundo o MS.
Leptospirose
Agente: espiroquetas do gênero Leptospira(patogênicas: L. interrogans). Sorovares mais associados: Icterohaemorrhagiae, Canicola, Pomona, Hardjo.
Transmissão: contato com urina de animais infectados (roedores, bovinos, cães) em água ou solo contaminado.
Clínica canina: febre, vômito, icterícia, insuficiência renal aguda, hemorragia pulmonar. Diferenciar de babesiose e erliquiose.
Diagnóstico: soroaglutinação microscópica (MAT) é o padrão-ouro; PCR em sangue/urina em fase aguda.
Tratamento: doxiciclina (eleição), penicilina/ampicilina na fase aguda com azotemia. Suporte renal é decisivo.
Profilaxia: vacinação canina multivalente contendo os sorovares regionais, controle de roedores, EPI para trabalhadores rurais.
Brucelose
Agentes: Brucella abortus (bovinos), B. canis (cães), B. suis (suínos), B. melitensis (caprinos/ovinos).
Clínica: abortos no terço final da gestação em bovinos, orquite/epididimite e infertilidade em machos. Em cães, discoespondilite e uveíte são achados clássicos.
Diagnóstico oficial (PNCEBT): AAT (Antígeno Acidificado Tamponado) como triagem e 2-mercaptoetanol ou fixação de complemento como confirmatórios. Anel do leite (Ring Test) em rebanhos leiteiros.
Controle: vacinação obrigatória de fêmeas bovinas entre 3 e 8 meses com B19 (ou RB51 em situações específicas), sacrifício sanitário dos positivos e certificação de propriedades livres.
Legislação: Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT) — IN MAPA 10/2017.
Como cair bem nas questões de zoonoses do ENARE
- Domine os ciclos epidemiológicos (agente–vetor–reservatório–hospedeiro), base da maioria das alternativas.
- Decore tratamentos de primeira escolha e o que é proibido/obrigatório por legislação — a FGV adora essa dicotomia.
- Saiba quais doenças são de notificação compulsória imediata(Raiva, Febre Maculosa, LV) versus semanal.
- Resolva ao menos 20 questões de zoonoses por semana na reta final, revisando com flashcards de repetição espaçada.
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